terça-feira, 30 de julho de 2013

Pedro Demo aborda os desafios da linguagem no século XXI

Pedro Demo é professor do departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB). PhD em Sociologia pela Universidade de Saarbrücken, Alemanha, e pós-doutor pela University of California at Los Angeles (UCLA), possui 76 livros publicados, envolvendo Sociologia e Educação. 
Demo esteve em Curitiba em 2008 para uma palestra promovida pela Faculdade Opet, e conversou com o Nota 10. 

O tema de sua palestra é “Os desafios da linguagem do século XXI para a aprendizagem na escola”. 
Quais são os maiores desafios que professores e alunos enfrentam, envolvendo essa linguagem? 

A escola está distante dos desafios do século XX. O fato é que quando as crianças de hoje forem para o mercado, elas terão de usar computadores, e a escola não usa. Algumas crianças têm acesso à tecnologia e se desenvolvem de uma maneira diferente - gostam menos ainda da escola porque acham que aprendem melhor na internet. As novas alfabetizações estão entrando em cena, e o Brasil não está dando muita importância a isso – estamos encalhados no processo do ler, escrever e contar. Na escola, a criança escreve porque tem que copiar do quadro. Na internet, escreve porque quer interagir com o mundo. A linguagem do século XXI – tecnologia, internet – permite uma forma de aprendizado diferente. As próprias crianças trocam informações entre si, e a escola está longe disso. Não acho que devemos abraçar isso de qualquer maneira, é preciso ter espírito crítico - mas não tem como ficar distante. A tecnologia vai se implantar aqui “conosco ou sem nosco”. 

A linguagem do século XXI envolve apenas a internet? 

Geralmente se diz linguagem de computador porque o computador, de certa maneira, é uma  convergência. Quando se fala nova mídia, falamos tanto do computador como do celular. Então o que está em jogo é o texto impresso. Primeiro, nós não podemos jogar fora o texto impresso, mas talvez ele vá se tornar um texto menos importante do que os outros. Um bom exemplo de linguagem digital é um bom jogo eletrônico – alguns são considerados como ambientes de boa aprendizagem. O jogador tem que fazer o avatar dele – aquela figura que ele vai incorporar para jogar -, pode mudar regras de jogo, discute com os colegas sobre o que estão jogando. O jogo coloca desafios enormes, e a criança aprende a gostar de desafios. Também há o texto: o jogo vem com um manual de instruções e ela se obriga a ler. Não é que a criança não lê – ela não lê o que o adulto quer que ele leia na escola. Mas quando é do seu interesse, lê sem problema. Isso tem sido chamado de aprendizagem situada – um aprendizado de tal maneira que apareça sempre na vida da criança. Aquilo que ela aprende, quando está mexendo na internet, são coisas da vida. Quando ela vai para a escola não aparece nada. A linguagem que ela usa na escola, quando ela volta para casa ela não vê em lugar nenhum. E aí, onde é que está a escola? A escola parece um mundo estranho. As linguagens, hoje, se tornaram multimodais. Um texto que já tem várias coisas inclusas. Som, imagem, texto, animação, um texto deve ter tudo isso para ser atrativo. As crianças têm que aprender isso. Para você fazer um blog, você tem que ser autor – é uma tecnologia maravilhosa porque puxa a autoria. Você não pode fazer um blog pelo outro, o blog é seu, você tem que redigir, elaborar, se expor, discutir. É muito comum lá fora, como nos Estados Unidos, onde milhares de crianças de sete anos que já são autoras de ficção estilo Harry Potter no blog, e discutem animadamente com outros autores mirins. Quando vão para a escola, essas crianças se aborrecem, porque a escola é devagar. 

Então a escola precisa mudar para acompanhar o ritmo dos alunos? 

Precisa, e muito. Não que a escola esteja em risco de extinção, não acredito que a escola vai desaparecer. Mas nós temos que restaurar a escola para ela se situar nas habilidades do século XXI, que não aparecem na escola. Aparecem em casa, no computador, na internet, na lan house, mas não na escola. A escola usa a linguagem de Gutenberg, de 600 anos atrás. Então acho que é aí que temos que fazer uma grande mudança. Para mim, essa grande mudança começa com o professor. Temos que cuidar do professor, porque todas essas mudanças só entram bem na escola se entrarem pelo professor – ele é a figura fundamental. Não há como substituir o professor. Ele é a tecnologia das tecnologias, e deve se portar como tal. 

Qual é a diferença da interferência da linguagem mais tecnológica para, como o senhor falou, a linguagem de Gutenberg? 

Cultura popular. O termo mudou muito, e cultura popular agora é mp3, dvd, televisão, internet. Essa é a linguagem que as crianças querem e precisam. Não exclui texto. Qual é a diferença? O texto, veja bem, é de cima para baixo, da esquerda para a direita, linha por linha, palavra por palavra, tudo arrumadinho. Não é real. A vida real não é arrumadinha, nosso texto que é assim. Nós ficamos quadrados até por causa desses textos que a gente faz. A gente quer pensar tudo seqüencial, mas a criança não é seqüencial. Ela faz sete, oito tarefas ao mesmo tempo – mexe na internet, escuta telefone, escuta música, manda email, recebe email, responde - e ainda acham que na escola ela deve apenas escutar a aula. Elas têm uma cabeça diferente. O texto impresso vai continuar, é o texto ordenado. Mas vai entrar muito mais o texto da imagem, que não é hierárquico, não é centrado, é flexível, é maleável. Ele permite a criação conjunta de algo, inclusive existe um termo interessante
para isso que é “re-mix” – todos os textos da internet são re-mix, partem de outros textos. Alguns são quase cópias, outros já são muito bons, como é um texto da wikipedia (que é um texto de enciclopédia do melhor nível). 

Qual a sua opinião sobre o internetês? 

Assim como é impossível imaginar que exista uma língua única no mundo, também existem as línguas concorrentes. As sociedades não se unificam por língua, mas sim por interesses comuns, por interatividade (como faz a internet por exemplo). A internet usa basicamente o texto em inglês, mas admite outras culturas. Eu não acho errado que a criança que usa a internet invente sua maneira de falar. No fundo, a gramática rígida também é apenas uma maneira de falar. A questão é que pensamos que o português gramaticalmente correto é o único aceitável, e isso é bobagem. Não existe uma única maneira de falar, existem várias. Mas com a  liberdade da internet as pessoas cometem abusos. As crianças, às vezes, sequer aprendem bem o português porque só ficam falando o internetês. Acho que eles devem usar cada linguagem isso no ambiente certo – e isso implica também aprender bem o português correto. 

O senhor é um grande escritor na área de educação, e tem vários livros publicados. Desses livros qual é o seu preferido? 

Posso dizer uma coisa? Eu acho que todos os livros vão envelhecendo, e eu vou deixando todos pelo caminho. Não há livro que resista ao tempo. Mas um dos que eu considero com mais impacto – e não é o que eu prefiro – é o livro sobre a LDB (A Nova LDB: Ranços e Avanços), que chegou a 20 e tantas edições. É um livro que eu não gosto muito, que eu não considero um bom livro, mas... Outros livros que eu gosto mais saíram menos, depende muito das circunstâncias. Eu gosto sobretudo de um livrinho que eu publiquei em 2004, chamado Ser Professor é Cuidar que o Aluno Aprenda. É o ponto que eu queria transmitir a todos os professores: ser  professor não é dar aulas, não é instruir, é cuidar que o aluno aprenda. Partir do aluno, da linguagem dele, e cuidar dele, não dar aulas. O professor gosta de dar aula, e os dados sugerem que quanto mais aulas, menos o aluno aprende. O professor não acredita nisso, acha que isso é um grande disparate. Mas é verdade. É melhor dar menos aulas e cuidar que o aluno pesquise, elabore, escreva - aprenda. Aí entra a questão da linguagem de mídia: a língua hoje não é dos gramáticos, é de quem usa a internet. Então a língua vai andar mais, vai ter que se contorcer, vai ser mais maleável. 

Então o professor gosta de dar aulas deve mudar esse pensamento? 

É um grande desafio: cuidar do professor, arrumar uma pedagogia na qual ele nasça de uma maneira diferente, não seja só vinculado a dar aulas. A pedagogia precisa inventar um professor que já venha com uma cara diferente, não só para dar aulas e que seja tecnologicamente correto. Que mexa com as novas linguagens, que tenha blog, que participe desse mundo – isso é fundamental. Depois, quando ele está na escola, ele precisa ter um reforço constante para aprender. É preciso um curso grande, intensivo, especialização, voltar para a universidade, de maneira que o professor se reconstrua. Um dos desejos que nós temos é de que o professor produza material didático próprio, que ainda é desconhecido no Brasil. Ele tem que ter o material dele, porque a gente só pode dar aula daquilo que produz - essa é a regra lá fora. Quem não produz não pode dar aula, porque vai contar lorota. Não adianta também só criticar o professor, ele é uma grande vítima de todos esses anos de descaso, pedagogias e licenciaturas horríveis, encurtadas cada vez mais, ambientes de trabalho muito ruins, salários horrorosos... Também nós temos que, mais que criticar, cuidar do professor para que ele se coloque a altura da criança. E também, com isso, coloque à altura da criança a escola – sobretudo a escola pública, onde grande parte da população está.

http://eproinfo.mec.gov.br/webfolio/Mod86886/unidade%203/nota10.pdf

terça-feira, 16 de julho de 2013

Hipertexto como ferramenta de ensino e aprendizagem

O universo do hipertexto transformou a forma de leitura e comunicação em todo o mundo. Através dele, a leitura se dá de forma dinâmica, interativa e não linear. Tudo o que necessitam as novas gerações, as quais estão cercadas de informação por todos os lados.
Estando a informação em vários espaços e sendo apresentada das mais variadas maneiras (textos, vídeos, imagens e sons), ela precisa estar disponível e ser acessada de forma dinâmica, fácil e eficiente, para que possa ser analisada, comparada, confirmada ou confrontada, e desta maneira a sociedade do conhecimento segue construindo sua história.
O hipertexto nos dá a possibilidade de estar em várias leituras simultaneamente. Ao pesquisarmos algum conceito, por exemplo, podemos encontrá-lo em diversos lugares, nos diversos sites de busca. Estando nele, este pode nos remeter a outros conceitos de mesmo ou diferente contexto ou até nos direcionar a outras leituras de pesquisa, notícia, entreterimento etc.
Falando em notícia, como outro exemplo muito claro da facilidade do hipertexto, pode-se comparar o jornal físico, de papel, com os sites de notícias. Enquanto que no primeiro temos acesso restrito, finito e desatualizado, no segundo temos acesso a milhares de informações e noticias, de qualquer parte do mundo e em tempo real.
Desta forma, a educação precisa também estar atualizada e aproveitar o mundo de informações e leituras, e perceber que nossos alunos atuais já convivem e apropriam-se no dia a dia destas leituras dinâmicas (hipertexto). E pode-se perceber também que esta geração torna-se, cada vez mais, uma geração de leitores, a qual pode não permanecer por horas devorando um livro literário, mas está em constante contato com o universo leitor.




O uso das tecnologias digitais facilita o acesso as mais diversas informações de maneira rápida, aumentando a autonomia dos estudantes.
As vantagens do uso destas ferramentas é que os alunos participam muito mais como leitores e pesquisadores fazendo novas descobertas e apropriando-se da aprendizagem de forma mais duradoura, enquanto o professor passa a atuar mais como um parceiro neste processo.
Com todas essas mudanças no contexto educativo tem-se levado os educadores a uma reflexão pelas inovações.

Focando no hipertexto, este tende afetar a forma de atuação do professor e do aluno. O professor pode tornar-se um colaborador no processo de ensino e aprendizagem, assumindo características de parceiro do aluno. E o aluno, por sua vez, como o leitor do hipertexto, pode participar de forma mais ativa do processo de aquisição de conhecimentos,  já que este pode então elaborar livremente, sob a sua própria responsabilidade, caminhos de seu interesse, acessando e possibilitando acrescer novos significados às informações que lhe são apresentadas.
Exemplificando, através do hipertexto o aluno tem a possibilidade de navegar de forma não linear, o que lhe permite novas descobertas, tanto confirmando suas certezas quanto levando-o a novas dúvidas e curiosidades, instigando-o assim a busca de novos conhecimentos.
Mesmo para o professor, os hipertextos apresentam-se como recursos importantes para organizar materiais diversificados, com um mesmo objetivo e de forma interdisciplinar, além de possibilitar a busca de atividades para os diversos níveis de aprendizagem.
Contudo, é preciso um olhar atento por parte do professor e do aluno ao navegar através de hipertextos. Ao mesmo tempo que o leque de possibilidades se abre diante de uma pesquisa, de uma leitura, o hipertexto pode levar o aluno e/ou o professor a sair muito além do foco de pesquisa e deixar de lado o objetivo principal de conhecimento a ser construído ou produzido.
Mas, muito mais que apresentar vantagens e problemas com a utilização do hipertexto, conclui-se que este é indiscutivelmente uma alternativa para o desenvolvimento cada vez maior, mais rápido e dinâmico, de uma sociedade em movimento e atuante no processo de sua própria construção.

Produção: 
Elizabeth Marques de Oliveira
Marilene Maria Anacleto

segunda-feira, 8 de julho de 2013


Tradicional e moderno - slideshows

Projeto: Água, se não preservar, vai faltar
Professor: Daniel Mendes
Turmas: 2º ano 01 e 02
EMEF Rodolpho Dornbusch
Neste projeto, o professor desenvolveu diversas atividades com as crianças, utilizando métodos tradicionais de ensino, bem como beneficiou-se das ferramentas tecnológicas, ainda que simples, disponíveis no ambiente tecnológico da escola para alfabetizar e ao mesmo tempo construir conhecimentos sobre a preservação da natureza com enfoque no elemento água.