terça-feira, 5 de novembro de 2013

Porque os jovens profissionais da geração Y estão infelizes

20 de setembro de 2013
 
Esta é a Ana.
Ana é parte da Geração Y, a geração de jovens nascidos entre o fim da década de 1970 e a metade da década de 1990. Ela também faz parte da cultura Yuppie, que representa uma grande parte da geração Y.
“Yuppie” é uma derivação da sigla “YUP”, expressão inglesa que significa “Young Urban Professional”, ou seja, Jovem Profissional Urbano. É usado para referir-se a jovens profissionais entre os 20 e os 40 anos de idade, geralmente de situação financeira intermediária entre a classe média e a classe alta. Os yuppies em geral possuem formação universitária, trabalham em suas profissões de formação e seguem as últimas tendências da moda. - Wikipedia
Eu dou um nome para yuppies da geração Y — costumo chamá-los de “Yuppies Especiais e Protagonistas da Geração Y”, ou “GYPSY” (Gen Y Protagonists & Special Yuppies). Um GYPSY é um tipo especial de yuppie, um tipo que se acha o personagem principal de uma história muito importante.
Então Ana está lá, curtindo sua vida de GYPSY, e ela gosta muito de ser a Ana. Só tem uma pequena coisinha atrapalhando:
Ana está meio infeliz.
Para entender a fundo o porquê de tal infelicidade, antes precisamos definir o que faz uma pessoa feliz, ou infeliz. É uma formula simples:

É muito simples — quando a realidade da vida de alguém está melhor do que essa pessoa estava esperando, ela está feliz. Quando a realidade acaba sendo pior do que as expectativas, essa pessoa está infeliz.
Para contextualizar melhor, vamos falar um pouco dos pais da Ana:
Os pais da Ana nasceram na década de 1950 — eles são “Baby Boomers“. Foram criados pelos avós da Ana, nascidos entre 1901 e 1924, e definitivamente não são GYPSYs.
Na época dos avós da Ana, eles eram obcecados com estabilidade econômica e criaram os pais dela para construir carreiras seguras e estáveis. Eles queriam que a grama dos pais dela crescesse mais verde e bonita do que eles as deles próprios. Algo assim:
Eles foram ensinados que nada podia os impedir de conseguir um gramado verde e exuberante em suas carreiras, mas que eles teriam que dedicar anos de trabalho duro para fazer isso acontecer.
Depois da fase de hippies insofríveis, os pais da Ana embarcaram em suas carreiras. Então nos anos 1970, 1980 e 1990, o mundo entrou numa era sem precedentes de prosperidade econômica. Os pais da Ana se saíram melhores do que esperavam, isso os deixou satisfeitos e otimistas.
Tendo uma vida mais suave e positiva do que seus próprios pais, os pais da Ana a criaram com um senso de otimismo e possibilidades infinitas. E eles não estavam sozinhos. Baby Boomers em todo o país e no mundo inteiro ensinaram seus filhos da geração Y que eles poderiam ser o que quisessem ser, induzindo assim a uma identidade de protagonista especial lá em seus sub-conscientes.
Isso deixou os GYPSYs se sentindo tremendamente esperançosos em relação à suas carreiras, ao ponto de aquele gramado verde de estabilidade e prosperidade, tão sonhado por seus pais, não ser mais suficiente. O gramado digno de um GYPSY também devia ter flores.
Isso nos leva ao primeiro fato sobre GYPSYs:
GYPSYs são ferozmente ambiciosos
President1
O GYPSY precisa de muito mais de sua carreira do que somente um gramado verde de prosperidade e estabilidade. O fato é, só um gramado verde não é lá tão único e extraordinário para um GYPSY. Enquanto seus pais queriam viver o sonho da prosperidade, os GYPSYs agora querem viver seu próprio sonho.
Cal Newport aponta que “seguir seu sonho” é uma frase que só apareceu nos últimos 20 anos, de acordo com o Ngram Viewer, uma ferramenta do Google que mostra quanto uma determinada frase aparece em textos impressos num certo período de tempo. Essa mesma ferramenta mostra que a frase “carreira estável” saiu de moda, e  também que a frase “realização profissional” está muito popular.
Para resumir, GYPSYs também querem prosperidade econômica assim como seus pais – eles só querem também se sentir realizados em suas carreiras, uma coisa que seus pais não pensavam muito.
Mas outra coisa está acontecendo. Enquanto os objetivos de carreira da geração Y se tornaram muito mais específicos e ambiciosos, uma segunda ideia foi ensinada à Ana durante toda sua infância:
Este é provavelmente uma boa hora para falar do nosso segundo fato sobre os GYPSYs:
GYPSYs vivem uma ilusão
Na cabeça de Ana passa o seguinte pensamento: “mas é claro… todo mundo vai ter uma boa carreira, mas como eu sou prodigiosamente magnífica, de um jeito fora do comum, minha vida profissional vai se destacar na multidão”. Então se uma geração inteira tem como objetivo um gramado verde e com flores, cada indivíduo GYPSY acaba pensando que está predestinado a ter algo ainda melhor:
Um unicórnio reluzente pairando sobre um gramado florido.
Mas por que isso é uma ilusão? Por que isso é o que cada GYPSY pensa, o que põe em xeque a definição de especial:
es-pe-ci-al | adjetivo
melhor, maior, ou de algum modo
diferente do que é comum
De acordo com esta definição, a maioria das pessoas não são especiais, ou então “especial” não significaria nada.
Mesmo depois disso, os GYPSYs lendo isto estão pensando, “bom argumento… mas eu realmente sou um desses poucos especiais” – e aí está o problema.
Uma outra ilusão é montada pelos GYPSYs quando eles adentram o mercado de trabalho. Enquanto os pais da Ana acreditavam que muitos anos de trabalho duro eventualmente os renderiam uma grande carreira, Ana acredita que uma grande carreira é um destino óbvio e natural para alguém tão excepcional como ela, e para ela é só questão de tempo e escolher qual caminho seguir. Suas expectativas pré-trabalho são mais ou menos assim:
Infelizmente, o mundo não é um lugar tão fácil assim, e curiosamente carreiras tendem a ser muito difíceis. Grandes carreiras consomem anos de sangue, suor e lágrimas para se construir – mesmo aquelas sem flores e unicórnios – e mesmo as pessoas mais bem sucedidas raramente vão estar fazendo algo grande e importante nos seus vinte e poucos anos.
Mas os GYPSYs não vão apenas aceitar isso tão facilmente.
Paul Harvey, um professor da Universidade de New Hampshire, nos Estados Unidos, e expert em GYPSYs, fez uma pesquisa onde conclui que a geração Y tem “expectativas fora da realidade e uma grande resistência em aceitar críticas negativas” e “uma visão inflada sobre si mesmo”. Ele diz que “uma grande fonte de frustrações de pessoas com forte senso de grandeza são as expectativas não alcançadas. Elas geralmente se sentem merecedoras de respeito e recompensa que não estão de acordo com seus níveis de habilidade e esforço, e talvez não obtenham o nível de respeito e recompensa que estão esperando”.
Para aqueles contratando membros da geração Y, Harvey sugere fazer a seguinte pergunta durante uma entrevista de emprego: “Você geralmente se sente superior aos seus colegas de trabalho/faculdade, e se sim, por quê?”. Ele diz que “se o candidato responde sim para a primeira parte mas se enrola com o porquê, talvez haja um senso inflado de grandeza. Isso é por que a percepção da grandeza é geralmente baseada num senso infundado de superioridade e merecimento. Eles são levados a acreditar, talvez por causa dos constantes e ávidos exercícios de construção de auto-estima durante a infância, que eles são de alguma maneira especiais, mas na maioria das vezes faltam justificativas reais para essa convicção”.
E como o mundo real considera o merecimento um fator importante, depois de alguns anos de formada, Ana se econtra aqui:
A extrema ambição de Ana, combinada com a arrogância, fruto da ilusão sobre quem ela realmente é, faz ela ter expectativas extremamente altas, mesmo sobre os primeiros anos após a saída da faculdade. Mas a realidade não condiz com suas expectativas, deixando o resultado da equação “realidade – expectativas = felicidade” no negativo.
E a coisa só piora. Além disso tudo, os GYPSYs tem um outro problema, que se aplica a toda sua geração:
GYPSYs estão sendo atormentados

Obviamente, alguns colegas de classe dos pais da Ana, da época do ensino médio ou da faculdade, acabaram sendo mais bem-sucedidos do que eles. E embora eles tenham ouvido falar algo sobre seus colegas de tempos em tempos, através de esporádicas conversas, na maior parte do tempo eles não sabiam realmente o que estava se passando na carreira das outras pessoas.
A Ana, por outro lado, se vê constantemente atormentada por um fenômeno moderno: Compartilhamento de Fotos no Facebook.
As redes sociais criam um mundo para a Ana onde: A) tudo o que as outras pessoas estão fazendo é público e visível à todos, B) a maioria das pessoas expõe uma versão maquiada e melhorada de si mesmos e de suas realidades, e C) as pessoas que expôe mais suas carreiras (ou relacionamentos) são as pessoas que estão indo melhor, enquanto as pessoas que estão tendo dificuldades tendem a não expor sua situação. Isso faz Ana achar, erroneamente, que todas as outras pessoas estão indo super bem em suas vidas, só piorando seu tormento.
Então é por isso que Ana está infeliz, ou pelo menos, se sentindo um pouco frustrada e insatisfeita. Na verdade, seu início de carreira provavelmente está indo muito bem, mas mesmo assim, ela se sente desapontada.

Aqui vão meus conselhos para Ana:
1) Continue ferozmente ambiciosa. O mundo atual está borbulhando de oportunidades para pessoas ambiciosas conseguirem sucesso e realização profissional. O caminho específico ainda pode estar incerto, mas ele vai se acertar com o tempo, apenas entre de cabeça em algo que você goste.
2) Pare de pensar que você é especial. O fato é que, neste momento, você não é especial. Você é outro jovem profissional inexperiente que não tem muito para oferecer ainda. Você pode se tornar especial trabalhando duro por bastante tempo.
3) Ignore todas as outras pessoas. Essa impressão de que o gramado do vizinho sempre é mais verde não é de hoje, mas no mundo da auto-afirmação via redes sociais em que vivemos, o gramado do vizinho parece um campo florido maravilhoso. A verdade é que todas as outras pessoas estão igualmente indecisas, duvidando de si mesmas, e frustradas, assim como você, e se você apenas se dedicar às suas coisas, você nunca terá razão pra invejar os outros.

 Porque os jovens profissionais da geração Y estão infelizes

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Projeto Livro: eu escolho, eu leio, eu aprendo.

Projeto Livro: eu escolho, eu leio, eu aprendo.
Professora: Isamir
Turma: 4º ano
Parceria: Marilene e Sandra


Primeira etapa do projeto:
  1. Escolha e leitura de uma obra literária na biblioteca. (cada aluno escolhe um livro do seu gosto).
  2. Apresentação/leitura compartilhada da obra escolhida (cada aluno conta/lê a história do livro escolhido).
  3. Preparação e aplicação de uma atividade a ser desenvolvida com os colegas da turma a partir da obra lida. Exemplo: um jogo, um questionário, um caça-palavras, um desenho, uma dinâmica, um cartaz, uma maquete, enfim qualquer atividade que possa ser desenvolvida a partir da história lida. (atividade planejada com auxílio dos pais e/ou da professora).

Obs: faz-se necessário o registro (fotografia e/ou filmagem) das apresentações e das atividades desenvolvidas.

Segunda etapa do projeto: Divulgação do livro

1. Seleção das imagens e/ou filmagens (aluno, livro, apresentação e atividade);
2. Produção uma apresentação de slides utilizando o programa BrOffice Impress contendo:
  • Slide 1: Apresentação
  • Slide 2: Imagem do aluno com o livro escolhido.
  • Slide 3: Sinopse do livro para divulgação.
  • Slide 4: Imagem da apresentação da história aos colegas.
  • Slide 5: Imagem da atividade desenvolvida com uma breve explicação.
3. Socialização da apresentação a outras turmas da escola para divulgação do livro.





quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Mídia-educação no contexto escolar



Em 2011, na EMEF Atayde Machado, presenciei um trabalho muito legal que professora Tania Mara Gomes Machado desenvolveu com a turma do 5º ano. Tendo esta turma o Estado de Santa Catarina como conteúdo do currículo, a professora dividiu a turma em grupos, sendo que cada um deveria escolher uma cidade do estado para pesquisar e apresentar ao grande grupo através de slides ou vídeos.
Tendo a pesquisa ocorrido no recesso escolar, a professora sugeriu aos alunos que fossem viajar neste período, para fazerem suas pesquisas sobre a cidade visitada e assim poderem fotografar ou filmar o local pessoalmente para sua apresentação. E assim, foram apresentados trabalhos muito interessantes com produções de slides e vídeos.
Analisando o trabalho pôde-se observar o interesse e dedicação dos alunos e a participação das famílias, tanto para o desenvolvimento da pesquisa quanto para a produção da apresentação.  Percebe-se que no caso, os alunos foram instigados a produzirem suas mídias e não apenas utilizarem mídias prontas e disponíveis para acesso. O que confirma o que diz Silvio P. da Costa: “um aspecto importante [...] da mídia na educação: a importância de que promovamos a produção das mídias na escola, não apenas a sua recepção”.
Como exemplo, segue a produção da aluna Marina Flores Olegar, que desenvolveu sua pesquisa e produção sobre a cidade de Lages:


segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Objeto Digital do Portal do Professor

Alfabetização

Chiclete


Episódio do programa Orto e Grafia, apresentado pela TV Escola; Utiliza o teatro de bonecos para ensinar a grafia correta de algumas palavras com -x e com -ch.

Objetivo: Ensinar a ortografia de palavras com -x e -ch, de forma dinâmica e divertida.



Sílabas


Vídeo do programete Mais Educação que apresenta as sílabas e sua classificação de uma forma dinâmica e objetiva. Faz uso de exemplos e analogias.

Objetivo: Apresentar as sílabas, bem como sua classificação, através de um formato mais dinâmico e contextualizado.


Objeto Digital do Portal do Professor

Uma das dificuldades do deficiente visual é que os demais à sua volta não conhecem o Sistema Braille de leitura para cegos. O Braille Virtual é um curso on-line baseado em animações gráficas e destinado à difusão e ensino do sistema Braille a pessoas que vêem.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

A tecnologia está onde menos se imagina!

Você consegue imaginar uma música que seja reproduzida com o corpo humano? Bem, agora imagine uma música que, para ser tocada, precise do corpo humano em movimento. Pense em como seria uma música que, para ser tocada, precise de muitos corpos em movimento. Sim, sim, só os corpos; os únicos instrumentos são corpos em movimento. É, entretanto, de música que estamos falando; não podem ser corpos em qualquer movimento, é preciso, portanto, que os movimentos sejam coordenados.



Essa obra, aparentemente, não lança mão de qualquer tecnologia em sua execução. Mas imagine, agora, como foi escrita a partitura dessa obra que não usa qualquer instrumento em sua execução, além de corpos em movimento.
Veja como a partitura foi escrita em um editor de apresentações, tendo sua composição com suporte na tecnologia digital:
http://www.eproinfo.mec.gov.br/upload/ReposProf/Tur97045/img_upload/Saltos_no_Tempo.ppt#262,7,Slide

terça-feira, 30 de julho de 2013

Pedro Demo aborda os desafios da linguagem no século XXI

Pedro Demo é professor do departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB). PhD em Sociologia pela Universidade de Saarbrücken, Alemanha, e pós-doutor pela University of California at Los Angeles (UCLA), possui 76 livros publicados, envolvendo Sociologia e Educação. 
Demo esteve em Curitiba em 2008 para uma palestra promovida pela Faculdade Opet, e conversou com o Nota 10. 

O tema de sua palestra é “Os desafios da linguagem do século XXI para a aprendizagem na escola”. 
Quais são os maiores desafios que professores e alunos enfrentam, envolvendo essa linguagem? 

A escola está distante dos desafios do século XX. O fato é que quando as crianças de hoje forem para o mercado, elas terão de usar computadores, e a escola não usa. Algumas crianças têm acesso à tecnologia e se desenvolvem de uma maneira diferente - gostam menos ainda da escola porque acham que aprendem melhor na internet. As novas alfabetizações estão entrando em cena, e o Brasil não está dando muita importância a isso – estamos encalhados no processo do ler, escrever e contar. Na escola, a criança escreve porque tem que copiar do quadro. Na internet, escreve porque quer interagir com o mundo. A linguagem do século XXI – tecnologia, internet – permite uma forma de aprendizado diferente. As próprias crianças trocam informações entre si, e a escola está longe disso. Não acho que devemos abraçar isso de qualquer maneira, é preciso ter espírito crítico - mas não tem como ficar distante. A tecnologia vai se implantar aqui “conosco ou sem nosco”. 

A linguagem do século XXI envolve apenas a internet? 

Geralmente se diz linguagem de computador porque o computador, de certa maneira, é uma  convergência. Quando se fala nova mídia, falamos tanto do computador como do celular. Então o que está em jogo é o texto impresso. Primeiro, nós não podemos jogar fora o texto impresso, mas talvez ele vá se tornar um texto menos importante do que os outros. Um bom exemplo de linguagem digital é um bom jogo eletrônico – alguns são considerados como ambientes de boa aprendizagem. O jogador tem que fazer o avatar dele – aquela figura que ele vai incorporar para jogar -, pode mudar regras de jogo, discute com os colegas sobre o que estão jogando. O jogo coloca desafios enormes, e a criança aprende a gostar de desafios. Também há o texto: o jogo vem com um manual de instruções e ela se obriga a ler. Não é que a criança não lê – ela não lê o que o adulto quer que ele leia na escola. Mas quando é do seu interesse, lê sem problema. Isso tem sido chamado de aprendizagem situada – um aprendizado de tal maneira que apareça sempre na vida da criança. Aquilo que ela aprende, quando está mexendo na internet, são coisas da vida. Quando ela vai para a escola não aparece nada. A linguagem que ela usa na escola, quando ela volta para casa ela não vê em lugar nenhum. E aí, onde é que está a escola? A escola parece um mundo estranho. As linguagens, hoje, se tornaram multimodais. Um texto que já tem várias coisas inclusas. Som, imagem, texto, animação, um texto deve ter tudo isso para ser atrativo. As crianças têm que aprender isso. Para você fazer um blog, você tem que ser autor – é uma tecnologia maravilhosa porque puxa a autoria. Você não pode fazer um blog pelo outro, o blog é seu, você tem que redigir, elaborar, se expor, discutir. É muito comum lá fora, como nos Estados Unidos, onde milhares de crianças de sete anos que já são autoras de ficção estilo Harry Potter no blog, e discutem animadamente com outros autores mirins. Quando vão para a escola, essas crianças se aborrecem, porque a escola é devagar. 

Então a escola precisa mudar para acompanhar o ritmo dos alunos? 

Precisa, e muito. Não que a escola esteja em risco de extinção, não acredito que a escola vai desaparecer. Mas nós temos que restaurar a escola para ela se situar nas habilidades do século XXI, que não aparecem na escola. Aparecem em casa, no computador, na internet, na lan house, mas não na escola. A escola usa a linguagem de Gutenberg, de 600 anos atrás. Então acho que é aí que temos que fazer uma grande mudança. Para mim, essa grande mudança começa com o professor. Temos que cuidar do professor, porque todas essas mudanças só entram bem na escola se entrarem pelo professor – ele é a figura fundamental. Não há como substituir o professor. Ele é a tecnologia das tecnologias, e deve se portar como tal. 

Qual é a diferença da interferência da linguagem mais tecnológica para, como o senhor falou, a linguagem de Gutenberg? 

Cultura popular. O termo mudou muito, e cultura popular agora é mp3, dvd, televisão, internet. Essa é a linguagem que as crianças querem e precisam. Não exclui texto. Qual é a diferença? O texto, veja bem, é de cima para baixo, da esquerda para a direita, linha por linha, palavra por palavra, tudo arrumadinho. Não é real. A vida real não é arrumadinha, nosso texto que é assim. Nós ficamos quadrados até por causa desses textos que a gente faz. A gente quer pensar tudo seqüencial, mas a criança não é seqüencial. Ela faz sete, oito tarefas ao mesmo tempo – mexe na internet, escuta telefone, escuta música, manda email, recebe email, responde - e ainda acham que na escola ela deve apenas escutar a aula. Elas têm uma cabeça diferente. O texto impresso vai continuar, é o texto ordenado. Mas vai entrar muito mais o texto da imagem, que não é hierárquico, não é centrado, é flexível, é maleável. Ele permite a criação conjunta de algo, inclusive existe um termo interessante
para isso que é “re-mix” – todos os textos da internet são re-mix, partem de outros textos. Alguns são quase cópias, outros já são muito bons, como é um texto da wikipedia (que é um texto de enciclopédia do melhor nível). 

Qual a sua opinião sobre o internetês? 

Assim como é impossível imaginar que exista uma língua única no mundo, também existem as línguas concorrentes. As sociedades não se unificam por língua, mas sim por interesses comuns, por interatividade (como faz a internet por exemplo). A internet usa basicamente o texto em inglês, mas admite outras culturas. Eu não acho errado que a criança que usa a internet invente sua maneira de falar. No fundo, a gramática rígida também é apenas uma maneira de falar. A questão é que pensamos que o português gramaticalmente correto é o único aceitável, e isso é bobagem. Não existe uma única maneira de falar, existem várias. Mas com a  liberdade da internet as pessoas cometem abusos. As crianças, às vezes, sequer aprendem bem o português porque só ficam falando o internetês. Acho que eles devem usar cada linguagem isso no ambiente certo – e isso implica também aprender bem o português correto. 

O senhor é um grande escritor na área de educação, e tem vários livros publicados. Desses livros qual é o seu preferido? 

Posso dizer uma coisa? Eu acho que todos os livros vão envelhecendo, e eu vou deixando todos pelo caminho. Não há livro que resista ao tempo. Mas um dos que eu considero com mais impacto – e não é o que eu prefiro – é o livro sobre a LDB (A Nova LDB: Ranços e Avanços), que chegou a 20 e tantas edições. É um livro que eu não gosto muito, que eu não considero um bom livro, mas... Outros livros que eu gosto mais saíram menos, depende muito das circunstâncias. Eu gosto sobretudo de um livrinho que eu publiquei em 2004, chamado Ser Professor é Cuidar que o Aluno Aprenda. É o ponto que eu queria transmitir a todos os professores: ser  professor não é dar aulas, não é instruir, é cuidar que o aluno aprenda. Partir do aluno, da linguagem dele, e cuidar dele, não dar aulas. O professor gosta de dar aula, e os dados sugerem que quanto mais aulas, menos o aluno aprende. O professor não acredita nisso, acha que isso é um grande disparate. Mas é verdade. É melhor dar menos aulas e cuidar que o aluno pesquise, elabore, escreva - aprenda. Aí entra a questão da linguagem de mídia: a língua hoje não é dos gramáticos, é de quem usa a internet. Então a língua vai andar mais, vai ter que se contorcer, vai ser mais maleável. 

Então o professor gosta de dar aulas deve mudar esse pensamento? 

É um grande desafio: cuidar do professor, arrumar uma pedagogia na qual ele nasça de uma maneira diferente, não seja só vinculado a dar aulas. A pedagogia precisa inventar um professor que já venha com uma cara diferente, não só para dar aulas e que seja tecnologicamente correto. Que mexa com as novas linguagens, que tenha blog, que participe desse mundo – isso é fundamental. Depois, quando ele está na escola, ele precisa ter um reforço constante para aprender. É preciso um curso grande, intensivo, especialização, voltar para a universidade, de maneira que o professor se reconstrua. Um dos desejos que nós temos é de que o professor produza material didático próprio, que ainda é desconhecido no Brasil. Ele tem que ter o material dele, porque a gente só pode dar aula daquilo que produz - essa é a regra lá fora. Quem não produz não pode dar aula, porque vai contar lorota. Não adianta também só criticar o professor, ele é uma grande vítima de todos esses anos de descaso, pedagogias e licenciaturas horríveis, encurtadas cada vez mais, ambientes de trabalho muito ruins, salários horrorosos... Também nós temos que, mais que criticar, cuidar do professor para que ele se coloque a altura da criança. E também, com isso, coloque à altura da criança a escola – sobretudo a escola pública, onde grande parte da população está.

http://eproinfo.mec.gov.br/webfolio/Mod86886/unidade%203/nota10.pdf

terça-feira, 16 de julho de 2013

Hipertexto como ferramenta de ensino e aprendizagem

O universo do hipertexto transformou a forma de leitura e comunicação em todo o mundo. Através dele, a leitura se dá de forma dinâmica, interativa e não linear. Tudo o que necessitam as novas gerações, as quais estão cercadas de informação por todos os lados.
Estando a informação em vários espaços e sendo apresentada das mais variadas maneiras (textos, vídeos, imagens e sons), ela precisa estar disponível e ser acessada de forma dinâmica, fácil e eficiente, para que possa ser analisada, comparada, confirmada ou confrontada, e desta maneira a sociedade do conhecimento segue construindo sua história.
O hipertexto nos dá a possibilidade de estar em várias leituras simultaneamente. Ao pesquisarmos algum conceito, por exemplo, podemos encontrá-lo em diversos lugares, nos diversos sites de busca. Estando nele, este pode nos remeter a outros conceitos de mesmo ou diferente contexto ou até nos direcionar a outras leituras de pesquisa, notícia, entreterimento etc.
Falando em notícia, como outro exemplo muito claro da facilidade do hipertexto, pode-se comparar o jornal físico, de papel, com os sites de notícias. Enquanto que no primeiro temos acesso restrito, finito e desatualizado, no segundo temos acesso a milhares de informações e noticias, de qualquer parte do mundo e em tempo real.
Desta forma, a educação precisa também estar atualizada e aproveitar o mundo de informações e leituras, e perceber que nossos alunos atuais já convivem e apropriam-se no dia a dia destas leituras dinâmicas (hipertexto). E pode-se perceber também que esta geração torna-se, cada vez mais, uma geração de leitores, a qual pode não permanecer por horas devorando um livro literário, mas está em constante contato com o universo leitor.




O uso das tecnologias digitais facilita o acesso as mais diversas informações de maneira rápida, aumentando a autonomia dos estudantes.
As vantagens do uso destas ferramentas é que os alunos participam muito mais como leitores e pesquisadores fazendo novas descobertas e apropriando-se da aprendizagem de forma mais duradoura, enquanto o professor passa a atuar mais como um parceiro neste processo.
Com todas essas mudanças no contexto educativo tem-se levado os educadores a uma reflexão pelas inovações.

Focando no hipertexto, este tende afetar a forma de atuação do professor e do aluno. O professor pode tornar-se um colaborador no processo de ensino e aprendizagem, assumindo características de parceiro do aluno. E o aluno, por sua vez, como o leitor do hipertexto, pode participar de forma mais ativa do processo de aquisição de conhecimentos,  já que este pode então elaborar livremente, sob a sua própria responsabilidade, caminhos de seu interesse, acessando e possibilitando acrescer novos significados às informações que lhe são apresentadas.
Exemplificando, através do hipertexto o aluno tem a possibilidade de navegar de forma não linear, o que lhe permite novas descobertas, tanto confirmando suas certezas quanto levando-o a novas dúvidas e curiosidades, instigando-o assim a busca de novos conhecimentos.
Mesmo para o professor, os hipertextos apresentam-se como recursos importantes para organizar materiais diversificados, com um mesmo objetivo e de forma interdisciplinar, além de possibilitar a busca de atividades para os diversos níveis de aprendizagem.
Contudo, é preciso um olhar atento por parte do professor e do aluno ao navegar através de hipertextos. Ao mesmo tempo que o leque de possibilidades se abre diante de uma pesquisa, de uma leitura, o hipertexto pode levar o aluno e/ou o professor a sair muito além do foco de pesquisa e deixar de lado o objetivo principal de conhecimento a ser construído ou produzido.
Mas, muito mais que apresentar vantagens e problemas com a utilização do hipertexto, conclui-se que este é indiscutivelmente uma alternativa para o desenvolvimento cada vez maior, mais rápido e dinâmico, de uma sociedade em movimento e atuante no processo de sua própria construção.

Produção: 
Elizabeth Marques de Oliveira
Marilene Maria Anacleto

segunda-feira, 8 de julho de 2013


Tradicional e moderno - slideshows

Projeto: Água, se não preservar, vai faltar
Professor: Daniel Mendes
Turmas: 2º ano 01 e 02
EMEF Rodolpho Dornbusch
Neste projeto, o professor desenvolveu diversas atividades com as crianças, utilizando métodos tradicionais de ensino, bem como beneficiou-se das ferramentas tecnológicas, ainda que simples, disponíveis no ambiente tecnológico da escola para alfabetizar e ao mesmo tempo construir conhecimentos sobre a preservação da natureza com enfoque no elemento água.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Estudantes digitais

Analisando os vídeos propostos pude refletir um pouco mais sobre a educação na era digital. Realmente, nós adultos de hoje não conseguimos compreender o desinteresse dos alunos por nossas aulas. Para nós, é comum entrarmos numa sala de aula e aguardarmos enfileirados, um professor/mestre que, conforme vídeo, era o único provedor da informação, o qual, nos transmitia todo conhecimento almejado. Mas, não somos culpados por isso, esta foi a nossa época, o nosso ensino, a nossa cultura e tradição. E foi assim que aprendemos, que nos desenvolvemos e hoje somos professores com muito a ensinar. Devemos considerar também, que estamos em época de transição, nascemos no século XX e devemos lecionar no século XXI, na era digital, a qual chegou a nossas vidas posteriormente. Estamos, portanto passando por uma metamorfose educacional, na qual, a forma de ensinar e aprender toma novos rumos, ainda desconhecidos por nós, professores aprendizes digitais. Neste sentido, também não conseguimos compreender nossos alunos digitais, da era digital, já que estes, também passam por conflitos e necessitam de professores mediadores e não “provedores”; necessitam de professores que os envolvam, que os ensinem a pensar, pois as informações já estão aos seus olhos; estes tem o “controle remoto” nas mãos e só precisam selecionar, analisar e saber o que fazer com toda a informação ao seu alcance.

Palestra Marcelo Tas em Sete Lagoas

Os estudantes da era digital

A Visão dos Estudantes Hoje

quinta-feira, 20 de junho de 2013

A escola mediando a infomração e o conhecimento

Conforme o texto de Pozo, podemos constatar nas escolas o quanto a aprendizagem dentro do ambiente escolar apresenta-se defasada. Então como os alunos aprendem? Como o aprendizado se dá por muito mais tempo, ao longo de toda vida? Não é difícil responder. O aprendizado se dá fora da escola. O aluno está cercado de informações, tecnologias, experiências, enfim, conhecimentos, os quais se encarregam de garantir uma aprendizagem dinâmica, interessante e constante aos olhos do estudante. Sendo assim, a escola nos padrões de ensino tradicionais, tem pouco a oferecer a quem já está além dos conteúdos básicos dos currículos. Isso não quer dizer que a escola seja dispensável, muito pelo contrário. É aí que ela precisa estar presente, atualizada e capacitada a orientar, “a formar os alunos para terem acesso e darem sentido à informação, proporcionando-lhes capacidades de aprendizagem que lhes permitam uma assimilação crítica da informação”(Pozo e Postigo, 2000).

Sociedade de informação sem conhecimento

Infelizmente, podemos ver claramente profissionais com péssima qualificação sendo formados nas instituições de ensino do Brasil. Vemos professores saindo das universidades sem uma experiência mínima para lecionar; engenheiros que chegam ao mercado de trabalho com conhecimento apenas teórico em sua profissão, sem a capacidade de criar, de prover críticas, de pensar por si só. Há muita informação, sendo que as pessoas não estão sabendo o que fazer com ela, não estão sabendo selecionar e fazer suas próprias considerações. E assim, pode-se constatar ao nosso redor, que tanto empresas públicas, quanto privadas, estão tendo que investir no treinamento e qualificação de seu pessoal para não ficar sem o profissional de que necessitam. Enfim, segundo Valente “a escola não está conseguindo contribuir para o preparo de cidadãos capazes de atuar na sociedade do conhecimento”. Uma sociedade de informação sem conhecimento.

Tecnologias na escola como na vida de professores e alunos

Vivemos num mundo globalizado, em constante transformação, onde a cada dia surgem novas tecnologias. Para adentrar nesta sociedade cada vez mais dinâmica, precisamos estar preparados para dar conta destes sujeitos da educação atual que estão nas salas de aula com “sede” de conhecimento. Romper nossas barreiras atitudinais quanto às tecnologias é o primeiro passo, pois precisamos compreender que os saberes vão além de livros, papeis e currículos rígidos. O saber se constrói, não pode ser imposto. Isto significa tornar as tecnologias aliadas da educação, sendo o professor o mediador e este, junto ao aluno construir conhecimentos tornando assim o aprendizado instigante, prazeroso e significativo. Compreende-se que não é tarefa fácil para muitos de nós, que nascemos anteriormente às novas tecnologias de informação. Somos afinal da época da máquina de datilografia quando quem tinha tal curso sentia-se orgulhoso com seu certificado. Depois chegaram outros aparatos como vídeo game, vídeo cassete, TV com controle remoto e com “muitos botões”, que não se entendia o porquê. Enfim, o tempo foi passando e hoje todo educador precisa entender a importância e necessidade das novas tecnologias na sociedade atual. Sendo assim, é preciso que todo professor busque adaptar-se e mantenha-se constantemente atualizado quanto às mudanças tecnológicas existentes no mercado e que aparecem na escola. O professor precisa apropriar-se das tecnologias e ferramentas disponíveis e construir uma visão que as link com seus objetivos de ensinagem, visando o interesse do aluno por estudar, por aprender. A escola precisa ser instigante, precisa ser atrativa tão quanto a vida fora dela. Não cabe mais ao professor privar o aluno de conhecimentos tecnológicos disponível, por não saber utilizá-lo ou por insegurança. Afinal, ensinar é um constante aprendizado, e para atender este nosso alunado, o qual muitas vezes, possui além de nossas habilidades computacionais, faz-se necessário que professor e aluno tornem-se parceiros de aprendizagem, um interagindo e partilhando com o outro na busca de novos saberes e conhecimentos.